Economia
Renda sobe, mas consumo não acompanha: o que explica o descolamento
Análise do Itaú aponta endividamento das famílias e juros altos como causas. Para empresários, sinal de cautela na expansão de varejo.
Redação Finance Brazil·04 de maio de 2026·5 min de leitura
<p>Os economistas do Itaú divulgaram análise apontando um descolamento incomum entre evolução da renda e do consumo no Brasil em 2026. A renda real das famílias está em trajetória de alta (mercado de trabalho aquecido, salário mínimo reajustado, programas sociais robustos), mas o consumo não acompanha o mesmo ritmo.</p><p>A explicação tem dois eixos principais. Primeiro, o endividamento das famílias está em patamar histórico — 31,22% da renda comprometida com dívidas (sem contar habitacional). É o teto da série histórica. Segundo, a Selic em 14,5% torna o crédito ao consumidor muito caro: o cartão rotativo passa de 400% ao ano em algumas instituições.</p><p>O resultado é que famílias estão usando o aumento de renda para amortizar dívidas, não para consumir. É um movimento racional do ponto de vista financeiro, mas que limita a expansão da economia no curto prazo.</p><p>Para empresas do varejo, o cenário exige cautela. Expansão agressiva de capacidade pode encontrar demanda mais fraca que o esperado.</p>
Fonte: Bloomberg Línea Brasil