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Magazine Luiza tem prejuízo de R$ 55,2 mi no 1T26, revertendo lucro

Selic elevada pressiona despesas financeiras do Magalu e resultado supera projeções negativas do mercado para o trimestre.

Redação Finance Brazil·11 de maio de 2026·2 min de leitura

A Magazine Luiza (MGLU3) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 55,2 milhões, revertendo o lucro de R$ 12,8 milhões registrado no mesmo período de 2025. O resultado ficou acima do esperado pelos analistas de mercado e evidencia o custo crescente que a Selic elevada impõe sobre empresas do varejo com estrutura de dívida relevante.

O principal vetor da deterioração foram as despesas financeiras, pressionadas pelo ciclo de aperto monetário iniciado no segundo semestre de 2024. Com a taxa básica de juros em patamar historicamente alto, empresas intensivas em capital de giro e com dívidas atreladas ao CDI sofrem compressão direta nas margens líquidas. No caso do Magalu, essa dinâmica inverteu um resultado positivo — ainda que modesto — em um prejuízo que superou as projeções do consenso.

A reversão do lucro é um indicador relevante porque sinaliza que, mesmo com eventuais avanços operacionais — como crescimento de receita ou melhora de mix de produtos —, o custo da dívida tem capacidade de anular ganhos no nível da linha final. O Magalu já vinha trabalhando na redução de endividamento e na diversificação de receitas por meio de serviços financeiros e marketplace, mas o ambiente de juros ainda compromete a velocidade desse ajuste.

O resultado acima do esperado em termos de prejuízo tende a gerar revisão de estimativas por parte das casas de análise para os próximos trimestres. O mercado avaliará se a companhia tem ritmo suficiente de desalavancagem para absorver o custo financeiro enquanto a Selic permanece elevada. O Banco Central sinalizou manutenção de postura restritiva no curto prazo, o que sugere que o alívio nas despesas financeiras do Magalu não deve chegar antes do segundo semestre de 2026, caso o ciclo de cortes se inicie conforme a expectativa do mercado futuro.

Nos próximos meses, o foco dos investidores estará na capacidade da varejista de sustentar geração de caixa operacional suficiente para cobrir o serviço da dívida sem deteriorar ainda mais o balanço. Qualquer sinal de aceleração no desendividamento ou melhora nas margens brutas pode alterar o sentimento em torno de MGLU3, que já acumula desempenho pressionado na bolsa. A combinação de resultado fraco com surpresa negativa aumenta a volatilidade esperada para o papel no curto prazo.

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