Câmbio

Análise técnica projeta dólar a R$ 4,79 com real em tendência de alta

Dólar futuro opera abaixo das médias móveis e dentro de canal de baixa, com suportes em R$ 4,91 e R$ 4,84 no curtíssimo prazo.

Redação Finance Brazil·11 de maio de 2026·2 min de leitura

O dólar futuro opera em forte tendência de baixa e projeta novos recuos nas próximas semanas, segundo análise técnica divulgada pela InfoMoney. A moeda americana segue negociando abaixo das médias móveis e dentro de um canal de baixa bem definido, com suportes identificados em R$ 4,91 e R$ 4,84. O cenário de curto prazo é considerado positivo para o real, sustentado por dois pilares estruturais: juros domésticos elevados e o movimento de carry trade.

O carry trade — estratégia em que investidores tomam recursos em moedas de países com juros baixos e aplicam em economias de juros altos — favorece o Brasil enquanto a Selic permanecer em patamar restritivo. Com a taxa básica de juros ainda em nível historicamente elevado, o diferencial de rentabilidade entre o Brasil e as principais economias desenvolvidas continua atraindo fluxo de capital estrangeiro para ativos brasileiros, o que pressiona a cotação do dólar para baixo. Esse mecanismo tem sustentado a valorização do real mesmo em momentos de incerteza global.

Do ponto de vista técnico, o canal de baixa em que o dólar futuro se encontra delimita resistências claras acima e suportes progressivamente menores. A análise aponta que, caso os suportes intermediários de R$ 4,91 e R$ 4,84 sejam rompidos, o próximo nível relevante se situa em R$ 4,79 — representando a projeção mais otimista para o real dentro do cenário atual. A manutenção do movimento dependeria da continuidade do fluxo de carry trade e da ausência de choques externos que revertam o apetite por ativos de risco em mercados emergentes.

Vale ressaltar que análise técnica projeta tendências com base em padrões históricos de preço e volume, sem incorporar eventos fundamentais imprevisíveis — como mudanças abruptas na política monetária americana, escalada de tensões geopolíticas ou deterioração fiscal doméstica. Qualquer desses fatores pode invalidar rapidamente o cenário traçado. Empresas com exposição cambial devem tratar essa projeção como um referencial de curto prazo, não como garantia de trajetória.

Para os próximos um a três meses, o cenário base aponta para real fortalecido, desde que o ambiente de juros domésticos elevados se mantenha e o apetite por carry trade global não se deteriore. Eventuais sinalizações dovish do Banco Central brasileiro — indicando início de ciclo de corte da Selic — poderiam reduzir o diferencial de juros e enfraquecer o suporte ao real. Empresários com fluxo de caixa em moeda estrangeira devem acompanhar de perto as próximas reuniões do Copom e os dados de inflação nos EUA, que influenciam diretamente o posicionamento do Federal Reserve e, por consequência, o movimento global do dólar.

Fonte: InfoMoney

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